SOBRE O ESPETÁCULO “DE COISAS QUE APRENDI COM ELIS”

Foto: Daniele Campos

“De Coisas que Aprendi com Elis”: desde o primeiro acorde vi, de pronto, que Ela aprendeu foi tu-do, e sob o meu olhar nascia uma Estrela, ponto.


Constrangida pelas lágrimas achava que teria que ligar para um médico na segunda -feira pedindo um “tarja preta”, mas não era a única! À minha frente, pessoas chorando, ao lado, meninas que não têm idade pra ter conhecido Elis num palco, chorando, do outro lado, pessoas chorando...  

O meu choro era de saudades de Elis, de emoção por Elis, e a via no palco, ali, a poucos metros. Emoção por ver o trabalho de uma grande INTÉRPRETE BRASILEIRA! Alguém sobre quem eu nunca ouvira falar e deixa marcada a sua assinatura; o que é muito mais complicado e arrebatador ao mesmo tempo: imprimir sua assinatura num tributo à Elis Regina!  “Caramba”, se é que me entende? Tem que ser muito ARTISTA!
A emoção deu-se do início ao final do show. Aquela menina pequenina apenas no biótipo ia se agigantando à medida que sua voz aquecia e o repertório (maravilhoso) pedia mais e mais do seu coração e de suas vísceras.  É isso: foi um show visceral, do tipo que só Elis poderia fazer.  

Em alguns momentos tive a impressão de que Ela, a cantora, dizia: “puxa Elis, calma, me deixa mostrar um pouquinho de mim, vamos dividir o palco?” Sim, pois ela estava completamente “abduzida” por Elis.
Sou gaúcha, e acho que Elis foi muito injustiçada no nosso estado, enfim, AMO Elis, cresci ouvindo Elis. Não havia, na minha época, acesso ao teatro, então músicas no rádio e LPs abasteciam a minha audição infantil e graças a Deus pude ouvir a nata da MPB, o que inclui Elis Regina, óbvio.  Jamais imaginaria que essa “escola” seria a primeira formação e o estopim para que me tornasse produtora artística e cultural. Minha brincadeira preferida era brincar de jornalista e escrever sobre tudo que ouvia no rádio ou assistia dos festivais de música, com a chegada da TV lá em casa.
Foto:Daniele Campos

“De Coisas que Aprendi com Elis”: Isabela Morais não só aprendeu, ela absorveu a essência, bebeu da fonte e se embriagou. Assisti na vida dois tributos à Elis. Em nenhum deles lembro-me de ter voltado para casa com essa vontade louca de “desaguar minha sopa de letrinhas”. O show de ontem lavou a alma de quem está cansado de babaquice na música. De quem implora e pede socorro por arte e talento. O show de ontem foi uma viagem lúdica e maravilhosa. Nunca usei drogas,mas me senti colocada e em estado de contemplação absoluta. A Diva Isabela é tão Diva que se deixou em segundo plano e se entregou à “Musa da Arte”. Havia deuses naquele palco. Eles celebravam e abriam caminho a Elas: Isabela Morais e Elis Regina que conversavam e uma cedia o que possui de melhor à outra. Menina de Luz essa artista Isabela Morais. Que lugar do Divino, aquele palco!  Não poderia deixar de mencionar o show a parte dos músicos: Clayton Prósperi  (piano, arranjos), Dedé Bonitto (contrabaixo e arranjos), Bruno Vieira ( bateria), da interação  performática, da simplicidade elegante do cenário, permitindo que brilhasse  a artista e a arte. Isabela Morais, intérprete, também assina o argumento e direção musical.

Foto:Lucas Pacheco
Ousaria dizer aos que sonham com palcos de lead e tantos exageros que usassem àquela máxima da moda: menos é mais. Foi isso que percebi no cenário de “De Coisas que Aprendi com Elis”, “menos é mais” e só Isabela e Elis deviam brilhar na noite de ontem, e brilharam. Show que para mim, foi o presente de aniversario de 2018. Momento inesquecível que vou guardar para sempre na alma e na memória dos melhores que assisti na vida. Porque ali havia verdade, arte e artistas: Isabela Morais, músicos, equipe de cenário, produção, comunicação e Elis Regina. 
Obrigada Elis Regina, obrigada Isabela Morais. “Nem tudo está perdido”, não é Pimentinha?



* Não sou crítica musical, não sou paga para escrever. Meu blog não tem patrocínios e a escrita é meu ofício de alma. Só escrevo sobre o que me arrebata. Darcila Rodrigues.


Pesquisando sobre Isabela Morais: Não, ela não nasceu ontem, ela já existe e é muito bem formada, eclética e pura energia musical. @isabelamorais #DeCoisasQueAprendiComElis

Foto: Otávio Pieve




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