MATILDE, A TARTARUGUINHA SAPECA DE PIETRA

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Matilde era uma tartaruga tímida, muito brava e silenciosa, até que um dia foi passear no sítio do tio Marquinhos e lá descobriu um lindo lago! O olhar da pequenina se iluminou e, timidamente, foi andando e andando em direção a ele (demorou um pouquinho, mas chegou). Ela não compreendia o porquê do cheiro que vinha da água e o som dos peixinhos, mergulhando e brincando, lhe aguçavam tanto os sentidos e sentia seu coraçãozinho bater disparado!
O que vou fazer quando chegar ali? Perguntava a si mesma... Eu não sei nadar!
Porém, o que ela não sabia é que a natureza havia lhe reservado uma linda surpresa: Matilde era descendente de uma raça aquática (isso quer dizer que seu habitat natural era a água e nossa amiguinha não sabia disso) ela fora adotada muito bebê e logo retirada do lago onde nasceu... Sua alma sabia, por isso ela sentia tanta vontade de chegar até o lago e o cheiro do mato, o barulho dos peixes e tudo em volta a fascinava.

Tio Marquinhos achava que poderia vigiar Matilde e que ela não teria coragem de entrar na água. Só que, de repente, sem que ninguém esperasse: cadê Matilde? Sumiu, ninguém sabe, ninguém viu!

Havia apenas bolhinhas de ar no lago e uma andorinha como testemunha do primeiro mergulho de Matilde...
Sumiu? Dizia tio Marquinhos.
Sumiu, disse o jardineiro.
Tio Marquinhos chegou a pensar que o rastel do jardineiro pudesse ter atingido Matilde por acidente e ele não quisesse contar a verdade. Ficou triste e até rezou por ela.

Enquanto isso, lá embaixo, no fundo do lago, ela se divertia com muitos mergulhos e piruetas.
Era apresentada aos amiguinhos do fundo d’agua e descobria outro mundo. Sem falar nos petiscos!
Matilde estava livre e feliz! Mas sentia saudade da sua amiguinha humana e precisava encontrar uma forma de contar que estava bem e feliz e que Pietra não devia se preocupar com ela. Pensou, pensou...

Como poderei voltar até a casa da minha menina para dar noticias sem correr perigo?
Foi então que encontrou a fada das águas: fada das águas, você tem certeza de que eu consigo?
Claro, Matilde, não tenha medo!
O peixe Bolha, primeiro amiguinho de Matilde no lago ficava todo inchado, em pânico, só de observar o que a Fadinha estava aprontando.
Uma tartaruga voadora? E se eu cair Fadinha? Estou com medo! 
A Fada das águas sorriu e piscou... Pirlimpimpim e Matilde criou asas e saiu batendo as perninhas, voando pelo céu estrelado.
Mas cuidado Matildeeeeeeee! Antes de o Sol nascer o encanto acabaaaaaa!
Ok! Acenou Matilde, ainda desequilibrando seu “casco voador”.

A janela do quarto de Pietra estava aberta e Matilde chegou meio desajeitada e aterrizou na cama da menina.
Caiu direto em cima das pernocas dela.
Pietra dormia profundamente.
Matilde abriu a sua jaqueta de couro e tirou do bolso um pozinho mágico, como a fadinha havia instruído: Sopre em direção à menina e você vai entrar nos sonhos dela, ai poderá contar tudo que aconteceu.

Matilde, então, entrou no sonho de Pietra, foi subindo até o seu tórax e chegou bem pertinho dos seus ouvidos e cochichou: olá minha amiguinha “Pi”, vim pra lhe contar que estou bem e feliz, e que descobri que meu lugar é no lago! Querida amiga, lá eu tenho muitos amiguinhos e muitas guloseimas deliciosas!

Como você está linda Matilde! Mais gordinha e com uma cor tão verde! Você cresceu! Disse Pietra. Pensávamos que havia morrido. Tio Marquinhos até mandou rezar uma missa!
Que nada “Pi”, eu fui atraída pelo lago, e tão logo mergulhei, era tanta coisa linda pra descobrir, tantos amiguinhos e amiguinhas...
Encontrei o peixe bolha, ele eu não comi... 
Matilde! Você come os seus amiguinhos? Lá embaixo não tem ração?
Não Pietra, eu aprendi que existem certos peixinhos dos quais eu preciso me alimentar, além de algas, moluscos, insetos, plantinhas e também aprendi que isso se chama cadeia alimentar. Quando você estiver na escola irá estudar  sobre cadeia alimentar. Graças a Deus que lá no lago não existe jacaré, do contrário eu estaria perdida! Por isso posso viver livre e feliz até meus 200 anos, he, he, he...
 Tudo isso Matilde?! Sim, eu vou viver muito mesmo!

Matilde e Pietra conversaram a noite inteira com muita alegria!  
Quando o galo começou a cantar Matilde se despediu de Pietra e antes que o efeito do pozinho mágico passasse saiu voando pela janela...
Adeus Matilde! Tchau Petra! Você estará sempre no meu coração! 
Seu coração acalmou e ela sorriu.
Quando o despertador tocou ela abriu os olhinhos, sorriu e disse: Matilde está bem, preciso contar ao tio Marquinhos. Sentia que podia ficar tranquila, pois a tartaruguinha sapeca havia encontrado o seu verdadeiro lar.
Pietra, agora, sabia que Matilde estava bem e feliz e que isso é o mais importante quando se ama alguém...



*Escrito no Dia da Criança de 2017. Um presente para a minha netinha Pietra que comemorou 5 aninhos nesse mês e que, assim como eu, ama os animais e para Erick e Dandara, meus amados. 

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