UM OUTRO MUNDO POSSÍVEL PARA QUEM FAZ


Faço parte de uma geração que cresceu ouvindo notícias sobre a revolução industrial, na verdade, há 64 anos da sua segunda fase. O termo globalização permeava a minha vida de estudante afoita por descobrir o que havia após o Oiapoque e ali, depois do Chui.
Num tempo em que não havia internet a biblioteca da escola era passaporte para todas as minhas viagens. Nos livros, visitava a terra das Gerais e sentia o cheiro de suas matas, o vento suave das montanhas e tropeçava nas “pedras do caminho” ao lado de Carlos Drummond ou então, voava para a cidade maravilhosa, e,  na praia de Copacabana me encontrava com Vinicius de Moraes.
Voltando a globalização, filha pródiga da revolução industrial, lembro que havia promessa de uma nova terra, onde tudo seria mais fácil e também sonhei com um outro  mundo possível. Naquele tempo, assim como milhões de brasileiros comuns e filhos de trabalhadores, não podia imaginar o que a mãe da globalização, a revolução industrial, proporcionaria: um mundo capitalista e desigual.
Movida pela sede de conhecimento e aquela inquietude de auto descobertas  através do mundo, a caneta e livros, foram companheiros inseparáveis de viagem.
Lendo Sociedade do Espetáculo, do escritor francês Guy Debord, tive a nítida certeza de que me deparara com um caminho sem volta.
Ao contrário de amigas divorciadas recentemente, à época, não lia livros de autoajuda ou fumava maconha. Buscava viagens mais profundas e “drogas” de efeitos mais prolongados, sempre eles, os livros.
A obra de Debord foi publicada em 1967 e republicada no Brasil pela Contraponto editora em 1997. O livro tem como ponto central de sua teoria que a alienação é mais do que uma descrição de emoções ou um aspecto psicológico individual. É a consequência do modo capitalista de organização social que assume novas formas e conteúdos em seu processo dialético de separação e retificação da vida humana.
Essa leitura ocorreu em 2001 quando trabalhei na Contraponto, no Rio de Janeiro. Lembra que decidi viajar através dos livros?
É, o Sr. Debord foi um divisor de águas em minha vida. Depois vieram outros e mais outros  companheiros de viagem, amigos íntimos inseparáveis. Mas sobre eles, falarei num próximo embarque.
Por fim, não importa o quão difícil seja a jornada, com os obstáculos, podemos construir escadas que nos conduzirão ao nosso mundo possível, real. As vezes complicado, áspero, frio, mas  um universo genuíno e rico de experiências e luz própria, enquanto a alienação é uma estrada vazia, árida e sem perspectivas. É exatamente assim que o formato socioeconômico e político  atual nos necessita, marionetes da ¨Sociedade do Espetáculo¨. Pensemos, portanto...
A hora é agora!



*Guy Debord foi um dos pensadores da Internacional Situacionista e da Internacional Letrista e seus textos foram a base das manifestações do Maio de 68, apesar de marxista citou Freud e muitos outros em suas obras.






















Darcila Rodrigues

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