TEORIA LITERÁRIA: A ANÁFORA

Anáfora é a repetição da mesma palavra ou conjunto de palavras no princípio de frases ou em versos sequenciais. É figura de linguagem ou de estilo que pode relacionar-se com aspectos semânticos, fonológicos ou sintáticos das palavras afetadas. É muito usada no dia a dia das pessoas e nas canções de cunho popular. Também é recurso literário muito utilizado nas quadras regionalistas, música e literatura em geral, especialmente em Poesia. A anáfora não é apenas um fenômeno dentre outros que acontecem nos textos: é preciosismo estilístico que pode constituir o próprio texto, garantindo sua coesão. Todo texto seria, nesse sentido, uma espécie de grande “tecido anafórico”. O anafórico também pode se constituir num estribilho ou refrão, que é um verso ou versos repetidos no final de cada estrofe de uma composição poética ou numa canção musical. O recurso literário em foco também faz com que o texto tome um sentido sentencial, axiomático ou vir a compor um aforismo, pelo qual adquire incisividade de sentença ético-moral, uma espécie de comando mental axiológico que induz o leitor a uma possível ação direta. Pode-se colher bons exemplos anafóricos na poesia alemã, com Göethe, no séc. XVIII, e Brecht, no séc. XX. Constitui-se em anáfora a repetição total ou parcial do verso e pode ser usada como fixação do assunto em voga, além de funcionar como um recurso para buscar ritmo no verso ou na frase. É necessário cuidado para não cair no pleonasmo, na redundância. Da anáfora fez bom uso a poeta Cecília Meireles como cadenciamento rítmico, especialmente no poema “Guitarra”.

Joaquim Moncks, do livro A POESIA SEM SEGREDOS, 2012/13, para o livro OFICINA DO VERSO, VOL. II

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