PRENÚNCIOS PRIMAVERIS

Aqui os derradeiros sentires da invernia. A cheirosa primavera assoma nos olhares dos jacarandás em flor, em meio à luminosidade tímida e nevoenta sobre os baldios. Sonolento, um rei tímido boceja no horizonte. Há palavras em revoada em meio às borboletas recém-saídas dos casulos. Tudo são cores, cheiros e sons nos ramos ainda magrelos de folhas. Os pássaros fazem coro: um sabiá mordisca as últimas tangerinas da estação, um bem-te-vi açula sua estridente canção. Vária e rica, a gravidez prenuncia o primaveril. A metáfora alça o poema de viver entre olores de polinização. Sou pólen no estigma da flor em fecundação pela palavra...

Joaquim Moncks – Do livro O PAVIO DA PALAVRA, 2015/16.

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