VERMELHO DA BANDA 14 BIS FALA SOBRE MÚSICA, POESIA E O SHOW ENCONTRO MARCADO E A NAVE ATERRISOU NO BLOG OFICINA DO VERSO


"Olho para o céu

Tantas estrelas dizendo da imensidão

Do universo em nós" (Flávio Venturini, Céu de Santo Amaro)


Quando se pensa que tudo já foi dito sobre Poesia, chegam os Poetas em nosso quintal e nos mostram que há muito que dizer e fazer em prol Dela. Que Ela deve estar em toda parte e em toda a arte (a genuína arte), desde que tenhamos olhos de ver além do lugar comum da vida. A Poesia nos pega de jeito e nos deixa mais humanos, mais dignos e com vontade de ser a cada dia, gente da melhor espécie possível por aqui. Acredito que isso é sonhar com um “Planeta Sonho”, é ter capacidade de voar numa “Nave de Prata”. Pensar e desejar que é “claro que o Sol vai voltar amanhã” e que podemos deixar algo para nossa “Linda juventude”. “Foi assim, como ver o mar” que assistimos ao show Encontro Marcado que reúne no mesmo palco Banda 14 Bis, atualmente formada por: Cláudio Venturini (vocal e guitarra), Vermelho (vocal e teclados), Sérgio Magrão (vocal e baixo), Hely Rodrigues (bateria). O compositor Flávio Venturini (vocal e teclados), que hoje tem carreira solo, mas é  fundador do 14 Bis, junto com Vermelho, participa lindamente do “Encontro”.

Flávio Venturini


J.C.Bach
Flávio, dentre seus muitos sucessos, teve a genialidade de escrever a letra para uma composição de, nada mais, nada menos que, Johan Sebastian Bach. Então, meninos e meninas de todas as idades, atenção! Esse cara, o J.S.Bach,(nascido no Sec. XVI), além de gênio da música tinha habilidade para o órgão e o cravo. Foi considerado o maior virtuose de sua geração e ainda, como se precisasse, era especialista na construção de órgãos! Ai, chega outro gênio, no Séc. XX, chamado Flávio Venturini e cria uma letra para a música de Bach? Como assim? Isso é possível? Sim, o que pensamos ser impossível é o que torna simples mortais em seres iluminados e por isso eles podem ter asas ou simplesmente voar numa “Nave de Prata”. 

 Guarabyra (esquerda)  e Sá

Bem, não para por ai, tem ainda a Super Dupla Sá e Guarabyra (Guttemberg Nery Guarabyra e Luis Carlos de Sá Filho), que nos encantam, no sentido literal da palavra, com suas “Verdades e Mentiras” sobre a  belas composições e uma carreira repleta de histórias engraçadas, as vezes tristes, porém, humanas, mas com final feliz sempre, pois eles continuam aqui nos alimentando a alma e nos fazendo acreditar na Poesia. Dentre os seus maiores sucessos, o de Sá e Guarabyra, estão as músicas “Dona”, Espanhola (parceria com Flávio Venturini), Caçador de Mim (Luíz Carlos Pereira de Sá  e Sérgio Magrão). Essa dupla fez sucesso nas décadas de 70 e 80, e até hoje tocam nas principais rádios do país. “Verdades e Mentiras”
(que não está no show Encontro Marcado), foi trilha sonora da novela Roque Santeiro da Rede Globo, é está entre as mais tocadas nas rádios em 1985. Eles são memória viva da música brasileira.

Sergio Magrão, Cláudio Venturini, Darcila Rodrigues, Vermelho, Hely Rodrigues
O que seria de nós, simples mortais,  sem eles, os grandes mestres poetas? 

Imaginemos a vida sem Música, sem Poesia, sem arte, sem cultura... Só assim, entenderemos o porquê de ser tão importante que não deixemos que a chama da arte se apague em nós. Mesmo que não consigamos nos tornar poetas, compositores, exímios instrumentistas, atores, cantores, não importa. Sempre haverá um papel importante, o de espectadores, admiradores, amantes das artes e leitores, ao que chamamos de poeta-leitor, aqui no nosso Blog Oficina do Verso. Pois sem a sua presença, leitor, seu pensamento, sua tese ou sua antítese, nada se perpetua e nada se reconstrói. Não podemos deixar que tudo que os gênios da nossa geração criaram se transforme em pó. Somos nós e também os nossos herdeiros que poderão fazer o “sol voltar amanhã”. E o nosso amanhã é hoje, o nosso “bom combate” começa quando abrimos um livro, contamos uma história, participamos de alguma forma com a continuidade do que tem valor.
Bem, no mais, é o Vermelho, tecladista e fundador da Banda 14 Bis que vai “pilotar” a nave agora. Espero que este pequeno bate-papo seja incentivo para os novos, os velhos e os mais ou menos jovens, não importa a idade cronológica, desde que não deixemos que a chama se apague em nós.



"Acho difícil distinguir a Poesia da Música, Vermelho"



Público no  Araújo Viana, em Porto Alegre 



ENTREVISTA: VERMELHO FALA SOBRE MÚSICA, POESIA E O SHOW ENCONTRO MARCADO






LETRAS DE CÉU DE SANTO AMARO E NAVE DE PRATA 

"POEMAS COM POESIA" 


Céu de Santo Amaro

Compositor: JS Bach/Adaptação e arranjo Flávio Venturini

Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor
Nos invadiu...
Com ela veio a paz, toda beleza de sentir
Que para sempre uma estrela vai dizer
Simplesmente amo você...
Meu amor..
Vou lhe dizer
Quero você 
Com a alegria de um pássaro
Em busca de outro verão
Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei


Na noite do sertão
Meu coração só quer bater por ti
Eu me coloco em tuas mãos
Para sentir todo o carinho que sonhei
Nós somos rainha e rei


Olho para o céu
Tantas estrelas dizendo da imensidão
Do universo em nós
A força desse amor nos invadiu...
Então...
Veio a certeza de amar você...






Nave de Prata

De Vermelho e Márcio Borges 

Entra dia, sai noite
Só procurando alguém por aí
A estranha saudade, saudade tamanha
De alguém que eu já vi
Eu me lembro dos olhos
Duas esferas de sol e luar
Duas naves de prata, perdendo contato
Sumindo no ar
Essa coisa me segue
E eu corro na lâmina dessa aflição
Acabado esse show
Viro o mundo ao avesso
Ela pode estar perto
Entre o dia e a noite
Tudo acontece no meu coração
Outra louca cidade
A mesma vontade de revelação
Eu me lembro dos olhos
Duas esferas de sol e luar
Duas naves de prata
Perdendo contato, sumindo no ar
Tenho o meu coração preparado pra flutuar
E seu nome chamando nos pingos da chuva
Eu me lembro dos olhos
Duas esferas de sol e luar
Duas naves de prata
Perdendo contato, sumindo no ar
Essa coisa me segue
E eu corro na lâmina dessa aflição
Acabado esse show
Viro o mundo ao avesso
Ela pode estar perto
Entre o dia e a noite
Que tudo acontece no meu coração
Outra louca cidade, a mesma vontade
Uma nova emoção
Tenho o meu coração preparado pra flutuar
E seu nome chamando nos pingos da chuva
Essa coisa me segue, chamada lembrança
E seus olhos chamando nos pingos da chuva


  

Por Darcila Rodrigues, editora do Blog-Revista Oficina do Verso



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