#EsquadrãoSuicidaEmBuscaDaPoesia II


Confesso que os primeiros instantes do filme poderiam ser comparados à sensação de um peixe fora d’agua. Porém, aquele entusiasmo dos adolescentes despertou em mim uma antiga curiosidade, a da infância. Queria descobrir que mundo era aquele. Nunca imaginaria que um filme com faixa “sub-16” pudesse conter cenas tão sensuais. Sim, eu estava por fora! Aos poucos fui analisando a obra e logo veio à minha lembrança (inexplicável) o poeta, advogado e  professor Augusto dos Anjos, falecido em 1914 e toda sua sátira ao criticar o egocentrismo de sua época, a vontade de mudar o mundo e sua angustia por dias melhores, como em seu poema mais famoso:

Versos Íntimos

Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera – 
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Percebem a sua maneira de enxergar a dura realidade do mundo e como a expressava através da Poesia? Vejam como o mundo mudou e ao mesmo tempo, nada mudou! Acredito ter sido este o motivo do “link instantâneo” entre os séculos XX (1914) e XXI (2016) surgido na minha cabeça logo no início do filme e eu nem sabia que Augusto dos Anjos estava tão vivo na memória. Nem imaginava o quão importante foram leituras que agora vêm reunir informações interconectadas. Mas não se iludam, pode ter sido o efeito do imenso balde de pipocas e do guaraná...

Para podermos evoluir como “atores pensantes” em nosso tempo, devemos estar atentos às mais diversas formas de expressões artísticas. Chega de olhar o mundo com superficialidade, é preciso aprender com as metáforas e elas estão soltas por ai, basta ter “olhos de poeta”.

Jose Ortega Y Gasset falou muito sobre a dinâmica da vida, ele dizia que “não é possível chegar ao entendimento sem perceber e superar as próprias circunstâncias, e que a verdade também só e alcançável do ponto de vista de cada um”, creio que ele iria curtir o filme Esquadrão Suicida, pois a estória retrata sobre uma realidade que é planetária: a ausência de ídolos reais, que através da violência psicodélica, cria “anjos tortos”, que sonham com um mundo melhor de acordo com a concepção de cada um. E nos afirma que a felicidade tem várias moradas e que o amor pode residir em qualquer coração. O lirismo dos personagens disfarçado de “ação” é o reflexo, creio, de uma geração que necessita de referencial positivo e sonhos para construir um futuro mais ameno de ser imaginado. Haja vista a cena onde a “Magia” vivida pela atriz Cara Delevigne invade os desejos de cada um dos vilões e acredite, são desejos de paz, amor, felicidade.  Mas quem vai contar a vocês mais sobre o Esquadrão Suicida em busca da Poesia é a Dandara Rodrigues, adolescente de 14 anos, estudante do 9º ano do ensino fundamental (fã da Arlequina, personagem vivida pela atriz Margo Robbie) e foi nossa parceira nesta aventura em busca da Poesia, que afinal não é um assunto tão complicado nem chato.



Por: Darcila Rodrigues  e Dandara Rodrigues





Nota: Leitores do Blog Oficina do Verso, a nossa proposta não é apologia ao filme, mas sim, trabalhar a interpretação de fatos do cotidiano como exercício à reflexão e busca da linguagem Poética,Darcila Rodrigues, editora.

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