TEORIA LITERÁRIA: O VERBO E A FRASE

Meus queridos, primordialmente os poetas-autores! Peço darem uma olhadela com algum cuidado no tocante às figuras de linguagem, em Poesia, especialmente o zelo que devemos ter para com a rainha da verbalização poética, aquela que dá o sentido conotativo ao assunto, devido à subversão do sentido original da palavra, sugerindo um novo contextual mais abrangente, incomum, inusitado. Só para explicitar melhor, a metáfora é, segundo o Aurelião: “Tropo que consiste na transferência de uma palavra para um âmbito semântico que não é o do objeto que ela designa, e que se fundamenta numa relação de semelhança subentendida entre o sentido próprio e o figurado; translação. [Por metáfora, chama-se raposa a uma pessoa astuta, ou se designa a juventude primavera da vida.]”. Um dos segredos da Poética – o mais caracterizador deste gênero literário – é saber inserir no poema este elemento formal. Ausente o metafórico, não há como identificar a Poesia na peça. Não estaremos, então, frente a um exemplar com Poesia, e, sim, teremos um texto prosaico, que pode ser muito bom (conto, crônica ensaio, artigo, etc.) em seu desenvolvimento e assunto, porém, não deve ser escrito em versos, a teor do que nos aponta a teoria literária para o texto artístico em que predomina o Poético. O verso é a apresentação formal do gênero Poesia, assim como a frase identifica o gênero Prosa. Mercê de versos que ocupam um parágrafo inteiro e confundem o poeta-leitor, como ocorre com o gênio português e universal Fernando Pessoa em seu heterônimo Álvaro de Campos. Veja-se, por exemplo, o poema ULTIMATUM, in http://arquivopessoa.net/textos/456. Também, na herança verbal brasileira, há ótimos exemplares de versos longos na obra do pernambucano Manuel Bandeira, do carioca Vinicius de Moraes e na do gaúcho Mario Quintana. É de ressaltar que é a apresentação formal velada, não derramada, codificada, e por vezes até hermética, que vai lhe dar a identidade e não o número de palavras com que é apresentada a temática poética. São as imagens acaso formadas que permitem a viagem no território do Novo. E são as palavras os remos deste barco que percorre o rio arterial do coração...

Joaquim Moncks, do livro OFICINA DO VERSO, 2015/16.





Maria Bethania - Texto Ultimatum - Fernando Pessoa, fonte: youtube, Henrique Fernandes




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