TEORIA LITERÁRIA: O UNIVERSO DA SUBVERSÃO

O texto artístico em si é uma via de duas mãos e, por vezes, até mais: há vários sentidos para cada uma. A abrangência, largueza e profundidade dependem da antropofagia cultural do autor e de sua ânsia de consumir o mundo para situar-se nele, ou não. Em regra, o criador literário é tão confuso ou “gauche” neste “situar-se”, que acaba criando um universo peculiar só para os seus devaneios. Para que tome corpo e efetivamente exista este novo circunstancial – fruto da farsa e da fantasia – depende da intensidade da fome do receptor que o deglutirá como algo entendível e palatável. Afinal, agir (ou não) sobre o ambiente e seus territórios é opção válida e a cargo do eventual leitor. Cada um dos caminhos urdidos pelo autor e pelo receptor segue em várias direções e vertentes, tendo também suas peculiares nuances. Não é aconselhável aplicar os conceitos de certo ou errado – nem no formato nem quanto ao conteúdo. Por vezes, até se torna impossível aquilatar... Todavia, há fórmulas técnico-conceituais que podem ser úteis para melhorar esteticamente a forma ou formato do assunto a ser abordado. Os analistas críticos podem auxiliar nesta tarefa. Há cânones estéticos que se vão formando a cada tempo, a cada ciclo da experiência humana. No entanto, o bom artista subverte palavra e sentido. O Novo, geralmente é fruto de tempo transcorrido e subversão do que antes estava posto como sugestional verdade. Aquilo que é, por natureza, a imagética do fingidor.

Joaquim Moncks,– Do livro OFICINA DO VERSO, 2015.





Por: Darcila Rodrigues 

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