NAS GERAIS ...


Foto: Darcila Rodrigues 

Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. 

Desde o cheiro  inusitado de ¨candeia", 

à  paisagem bucólica, 



tudo foi mágico, absolutamente único...








O carro subindo a montanha, a estrada de chão estreitando, o cheiro de candeia trazia algo de acolhedor àquela paisagem bucólica.
No alto o desconhecido revelava lembranças de um amanhã e a saudade de algo que nunca fora vivido (ou foi?). O verde se mistura ao dourado da terra do minério de ferro, enquanto o sol finaliza a obra com o toque perfeito de dourado. Os olhos fotografam tudo, mas os outros sentidos estão ali, todos reunidos e em perfeita sincronia, como se nada mais existisse.

Descortinando as montanhas o pequeno lugarejo de casinhas coloridas e pessoas que sorriam e diziam: “Bom dia dona”! Havia serenidade nos olhares e magia nos sorrisos, além de muitas histórias para contar.

Aos poucos o cheiro de candeia cedeu lugar ao aroma dos temperos locais e do feijão na panela de barro que cozinhava no fogão de lenha na pequena casa decorada com flores do campo; de um colorido artesanal, tão bem arrumada e limpa que parecia sair dos contos de fadas. Cenas que se tornaram eternas, imagens do paraíso que acabara de encontrar.

No alto da Praça do Cruzeiro um Senhor negro, sentado no banco de pedra, acena com gesto afetuoso. E meus olhos sorriram com a emoção de quem recebe bençãos de boas vindas. 

Da pequena Igreja de pedra vinha o som de vozes femininas que entoavam lamentos desconhecidos, porém, lindos e afinados. Era o coral das lenheiras ensaiando para a festa da Padroeira.

Tudo era mágico e perfeito.  Incrível respirar, sentir um momento pleno e real de felicidade naquele lugar perfeito para viver e amar.

E lá se vão quase vinte anos, muita coisa mudou naquele pedacinho de paraíso. Amizades se solidificaram, outras nunca mais encontrei. Mas o amor e o respeito por Lavras Novas não mudou. Dizem que a primeira vez a gente nunca esquece. Desde o cheiro  inusitado de ¨candeia", à  paisagem bucólica, tudo foi mágico, absolutamente único e está marcado para sempre em meu coração. 


 E quando fico muito tempo sem visitar, sinto saudades do lugar, do sotaque amoroso e valente; típico brasileiro,das pessoas queridas que lá estão.




Estradinha que sobe à montanha, em Lavras Novas, MG








* Na Coletânea Primavera, a minha homenagem à Lavras Novas e à Minas Gerais.

Foto: www.viaggiando.com



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