TEORIA LITERÁRIA: O MUNDO DOS FATOS E O POEMA

O que temos posto ao exame é a proposta literária e não a situação e/ou a relação pessoal entre escritores, suas convicções e suposições no mundo dos fatos. Acho que seria bom examinar o texto com acuidade e ponderar sobre ele como proposição – um convite à reflexão – não miscigenando questões pontuais existentes no plano da realidade. Até porque a literatura não tem por destinação interferir diretamente no plano do real, e sim propor juízos de valor e ajudar a formar conceitos sobre tal ou qual assunto. O poeta/leitor vai agregar elementos a partir da sugestão estética, meramente isso. Dá para entender o que pretendo com este enfoque? Peço voltem a reler o RASCUNHO INSENSATO ( texto abaixo), para ver se o conseguimos abrir com maior abrangência e foco, certo? Pode ocorrer, inclusive, que o receptor esteja aduzindo ao texto em voga algumas novidades de interpretação. Enfim, até isto é possível ocorrer quando a inocente e eventual proposta verbal se topa com um criativo poeta/leitor. É uma proposta aberta ao Novo, ao inusitado que o espiritual percebe e emite a seta – certeira – em direção à cuca dos que gostam de pensar. Todavia, enfim, nem todos gostam de refletir sobre a abstração contida no poema como se verdade fosse... O bom exemplar em Poesia nunca se exaure em si mesmo. Está sempre se recriando a cada leitura. Porque este é o seu intrínseco Mistério. 

 Joaquim Moncks – Do livro OFICINA DO VERSO, 2015/16.

O RASCUNHO INSENSATO

Quem sabe dos rascunhos de si próprio sabe falar sobre e com Poesia. Afinal, não escrevemos somente para os outros, simplesmente pra ser lido. A gente acredita no que faz, na farsa e na fantasia que reproduz os sonhos. Reescrevemo-nos com suspiros, cochichos e tudo o mais. Falo por mim, que sou um inveterado reescritor. Às vezes, faço isto até dormindo. A mão cega é uma matraca. Nunca cala a boca, é viciada em falar...

Joaquim Moncks  – Do livro OFICINA DO VERSO, 2015/16

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