Teoria Literária

Vamos à Fertilização da palavra poética? 


A nossa proposta com a coluna Teoria Literária é alcançar o maior número possível de poetas/leitores e poetas/escritores  de 18 à 80 anos, enfim, todos aqueles abertos à fertilização da palavra poética. Desejamos que nossos seguidores e leitores atuem como instigadores e críticos da palavra. Queremos a interlocução, a confraternidade e a possibilidade de sermos uteis aos que por aqui passarem. Sabemos que o cotidiano anda pesado e muitas vezes triste. Mas acreditamos na Poesia como fator de mudança interior, para tanto, necessário se faz que olhemos de dentro para fora. E que tal começar hoje a mudança a partir da Poesia? Se você acredita que ¨um outro mundo é possível¨ em nós, chegue mais e venha pra cá fazer da palavra poética uma poderosa fonte de renovação do pensar e agir. Pois enfim, não podemos mudar o mundo mas podemos mudar a forma de ver e ser no mundo, não é mesmo? Bem vindos a mais um instigante texto do nosso colaborador e mestre da poética, Joaquim Moncks, O Arco reflexo. No texto, o poeta propõe que o Ego não escreve poema com Poesia. Para JM é o Alter Ego que trabalha com a metáfora, ingrediente indispensável para que o poema possa nascer com Poesia. Bem, mas vamos ouvir e ler o que ele nos traz? Espero que vocês, após assistirem e lerem o nosso poeta, contribuam com suas opiniões sobre o tema. Até mais.



Darcila Rodrigues, editora Oficina do Verso


O ARCO REFLEXO

Antes do nascimento do poema, a solitária transeunte que andeja nos caminhos da criação literária é a consciência refletida: o arco reflexo do pensado, idealizado, dito ou feito.
Ainda que muitas vezes, mormente em Poesia, o interlocutor que se manifesta pela palavra não seja o ego, e sim, a sua sombra: o alter ego. Este incômodo e percuciente hóspede habita-nos tal um tolerado intruso, e às vezes vomita o seu emocional, como fora um sopro inconsciente nascido do ventre do Mistério. Porque o ego não é capaz de se comunicar em linguagem poética, somente o alter ego, aquele que se não impõe limites nem se restringe quanto à terminologia de sua fala, construção gramatical e disposição inicial dos versos. Estes registros chegam, em algumas vezes, insanos ou inusitados, sempre tomados de emoção, como quem chega dos territórios do Inconsciente ou dos campos do Nada, tomado de surpresa e inquietações. O senhor Alter Ego – mercê de sua natural codificação de linguagem – tem uma sinceridade de propósitos e uma franqueza que nos deixa muitas vezes boquiabertos, e nos faz cair de joelhos, mãos postas, impotentes, frente ao Absoluto. Talvez a impotência de ser ele-mesmo e por falar sem pensar o que sente... Aquilo que Fernando Pessoa firmou para a posteridade ao assinar o poema: Fernando Pessoa – ele mesmo – o Outro...

– Do livro O CAPITAL DAS HORAS, 2014.
http://www.recantodasletras.com.br/teorialiteraria/4800184
Joaquim Moncks

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