Passeio Musical


Os Talentos do Boêmio Lupi  


Foto web

Em 16 de setembro de 1914 nascia Lupicínio Rodrigues. Para escrever sobre o autor, compositor e intérprete, no aniversário de seu centenário, corre-se o risco de cair no lugar comum. Conhecido por ser o autor do hino do Grêmio, time de futebol gaúcho, e por algumas canções emblemáticas como “Nervos de Aço”, “Esses Moços”, “Felicidade” e “Vingança”, o Lupi tinha, no entanto, inúmeros talentos desconhecidos da maioria das pessoas.
Para começar, embora não tocasse nenhum instrumento, era poeta e compositor, autor de 286 músicas de variados gêneros, gravadas por ele mesmo e outros inúmeros artistas; Intérprete, com sua voz tranquila, das próprias canções que ele, humildemente, alegava ser apenas para que os verdadeiros artistas soubessem como gostaria que suas músicas fossem cantadas; Administrador de diversas casas noturnas (bares, restaurantes e boates) de que foi proprietário em Porto Alegre, muito embora frequentasse com assiduidade as casas noturnas  concorrentes; Militante do Direito Autoral, como procurador regional da Sociedade Brasileira dos Autores, Compositores e Escritores de Música; Funcionário Público da Faculdade de Direito; Comunicador de rádio, com programas na Rádio Farroupilha de Porto Alegre e na Record de São Paulo; Político como candidato a vereador, não eleito; Cronista do jornal Última Hora, na década de 60.
Por fim, temos também o Lupi inventor, antes do qual não existia a “dor de cotovelo”. A expressão teria sido inventada por ele, como consequência de quem, diante de uma desilusão amorosa, ficasse horas acotovelado na mesa do bar, bebendo e remoendo sua dor de amor.
Ainda assim, Lupicínio Rodrigues, o maior compositor popular do Rio Grande do Sul dizia que era “apenas boêmio”.


Por Érico Pires


¨Podes entrar, a casa é tua¨    





“Podes entrar, a casa é tua” é o nome escolhido para a mesa redonda sobre Lupicínio Rodrigues. Uma idealização da Carris e Museu da Comunicação Hipólito José da Costa que celebra o centenário de nascimento do cantor e compositor. Participaram do debate, o jornalista Cláudio Brito, o jornalista e crítico de música Juarez Fonseca, o filho do compositor, o Lupinho e o jornalista Marcello Campos, pesquisador e escritor da biografia de Lupicínio (foto ao lado).

Temas diversos relembraram a história  do famoso compositor da dor de cotovelo, como a trajetória do artista nas capitais brasileiras de São Paulo e do Rio de Janeiro,  o estilo ¨Lupiciniano¨ de compor  que faz com que composições sejam confundidas como sendo de autoria de Lupi, o extinto bairro da Ilhota bairro  onde ele viveu, sua paixão pelo Grêmio Futebol Clube, sua sensibilidade e seu estilo sempre elegante, a personalidade pacífica que o fez querido por todos, até por seus concorrentes de casas noturnas, tanto que ele as frequentava mesmo quando tinha seu próprio negócio para administrar.

A relação de Lupi com a Carris deu-se quando o pai percebendo a tendência precoce do filho para a boemia tratou de empregar o moço como aprendiz de mecânico na empresa na década de 20. Época em que o bonde era o principal meio de transporte dos porto-alegrenses. A função do rapaz era a de empurrar os elétricos para as oficinas. Para frustração do pai, o amor pela vida noturna falou mais alto e o emprego foi deixado em pouco tempo. A empresa criou uma oficina de música com o nome de “Oficina do Lupi” para homenageá-lo.
A mesa redonda foi encerrada com a participação dos músicos João Vicente (violão 7 cordas), Caio Martinez (voz) e Rafael Rodrigues (cavaqunho e voz) eles fazem parte do musical  “Lupi – Uma vida em estado de paixão”.
Até setembro de 2015 muitos eventos acontecerão em diversas regiões do país por conta do projeto criado por Lupinho que celebra o centenário de Lupi. Se no passado Porto Alegre não reconheceu devidamente o talento e a importância de Lupicínio Rodrigues como merecia, um dos temas fortemente abordados na mesa de debates, o presente demonstra o quanto Lupi e sua obra são amados e eternizados pelos brasileiros.

Por: Darcila Rodrigues
João Vicente (violão 7 cordas), Caio Martinez (voz) e Rafael Rodrigues (voz).


                                                                  Fonte: Youtube